A dependência causada em uso crônico de benzodiazepínico é abordada com os pacientes na Saúde da Família?

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A dependência causada em uso crônico de benzodiazepínico é abordada com os pacientes na Saúde da Família?

Mensagem  Gabriela M. Mendes em Dom Dez 01, 2013 8:37 pm

"A dependência causada em uso crônico de benzodiazepínico é abordada com os pacientes na Saúde da Família?"

Os benzodiazepínicos (BZD) são medicamentos hipnóticos e ansiolíticos com efeitos notáveis e com amplo índice terapêutico. Apresentam, ainda, propriedades anticonvulsivante, relaxante muscular e amnésica. O extenso uso inadequado dessa classe de medicamentos é relatado, tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento.

Estima-se que cerca de 2% da população adulta dos EUA e aproximadamente um milhão de pessoas no Reino Unido recebam uma prescrição
de BZD por 12 meses ou mais, como ansiolítico ou hipnótico. Destes, aproximadamente 50% utilizam tais medicamentos por cinco ou mais anos.

No primeiro levantamento domiciliar nacional realizado no Brasil, em 2001, 3,3% dos entrevistados declararam usá-los sem receita médica. Estima-se que a população adulta usuária crônica de BZD seja igual a 1,6%, e os indivíduos que abusam desses medicamentos geralmente
o fazem para lidar com os problemas cotidianos e as reações de estresse da vida diária.

O uso racional de medicamentos segundo a OMS consiste na utilização do medicamento apropriado às necessidades do paciente, na dose correta, por período de tempo adequado e a custo acessível. A ausência de atendimento a qualquer dos aspectos de racionalidade apontados nesse conceito implica em uso inadequado do medicamento.

A duração do tratamento com BDZ é uma das variáveis determinantes da racionalidade da terapia. Protocolos nacionais e internacionais consideram o tratamento superior a seis meses como de risco para o desenvolvimento de dependência e tolerância.

Os BZD, por serem medicamentos de amplo índice terapêutico, boa tolerabilidade e baixo custo, trouxeram inegáveis benefícios no manejo de
transtornos mentais, porém podem desencadear iatrogenias importantes, em grande parte geradas pelo uso inadequado. Deve-se considerar que os BZD são utilizados em situações clínicas pouco definidas no aspecto biomédico. Suas principais indicações, insônia e ansiedade, são sintomas pouco específicos, comuns a várias doenças e intimamente relacionados à qualidade de vida.

Efeitos colaterais: ataxia, coordenação anormal, esquecimento de fatos recentes, sonolência, perda de equilibrio, perda de peso, vertigem, tremores, DEPENDÊNCIA.

A dependência pode ser física e/ou psicológica, sendo que na maioria das vezes observamos ambas, sendo seu grau variável de um paciente para outro e pode ser influenciada por vários fatores como: idade, problemas pessoais e/ou familiares, trabalho, predisposição genética etc. A dependência física decorre da necessidade do organismo de um ou mais metabólitos dos BDZ para manter seu padrão de atividade. A dependência psicológica é quando o uso da droga é feito sem uma evidente necessidade.

Para diminuir os riscos de dependência podemos: utilizar doses baixas; evitar, quando possível, seu uso em pacientes propensos à dependência; utilizá-las por curto período de tempo; utilizar doses intercaladas e/ou variáveis.

Interações medicamentosas

· Substâncias que inibem o metabolismo dos BDZ, aumentando seu efeito - cimetidina, omeprazol, isoniazida, beta-bloqueadores, anticoncepcional oral, dissulfiram.

· Substâncias que aumentam o metabolismo dos BDZ, diminuindo sua eficácia - difenilhidantoína, rifampicina e uso crônico de fenobarbital.

· Depressores do sistema nervoso central potencializam o efeito sedativo - barbitúricos, álcool.

· Substâncias anti-histamínicas + BDZ - podem aumentar a sedação.

· Substâncias anti-hipertensiva + BDZ - podem ocorrer um aumento do efeito de hipotensão.

· Substâncias antiácidas e anticolinérgicos diminuem a absorção dos BDZ.

· Os BDZ aumentam os níveis plasmáticos de digoxina, podendo haver intoxicação digitálica.

O uso indevido de BDZ parece envolver, médicos e usuários. A falta de informações e a baixa percepção das consequências deletérias do uso indevido de BDZ por médicos e usuários, somada a uma série de outras questões, parecem ser alguns dos principais fatores que favorecem esse fenômeno.



Maria Aparecida Forsan. O uso indiscriminado de benzodiazepínicos: uma análise crítica das práticas de prescrição, dispensação e uso prolongado. Tcc, 2010.

Utilização de benzodiazepínicos no Serviço Municipal de Saúde de Coronel Fabriciano, Minas Gerais. Karleyla Fassarelo Firmino, Mauro Henrique Nogueira Guimarães de Abreu, Édson Perini, Sérgia Maria Starling de Magalhães. Ciência & Saúde Coletiva, 17(1):157-166, 2012.

Benzodiazepínicos: atualidades (up-to-date). Sérgio Albertino, Pedro Ferreira Moreira Filho. Professor adjunto doutor da Disciplina de Neurologia da Faculdade Fluminense de Medicina - UFF. Hospital Universitário Antônio Pedro. Curso de Pós-Graduação em Neurologia.
Disponível em : http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?id_materia=1364&fase=imprime


Gabriela M. Mendes

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Mensagem  Nathan Mendes Souza em Qua Dez 18, 2013 12:29 pm

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Nathan Mendes Souza

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Mensagem  Nathan Mendes Souza em Qua Dez 18, 2013 12:31 pm

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