AAS COMO PREVENÇÃO SECUNDÁRIA DE AVE

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AAS COMO PREVENÇÃO SECUNDÁRIA DE AVE

Mensagem  Luis Fernando em Qui Dez 05, 2013 9:51 pm

O presente objetivo de aprendizagem foi construído a partir da dúvida sobre a utilização de diferentes doses de AAS para a prevenção secundária de novos acidentes vasculares encefálicos. Seguem abaixo as informações colhidas a respeito.

O ácido acetilsalicílico é o antiplaquetário mais comumente utilizado na prevenção primária de eventos cardiovasculares decorrentes da aterotrombose. É um fator protetor para a maioria dos pacientes sobre risco de eventos de oclusão vascular, como IAMs, AVEs e doença arterial periférica. Baixas drogas de AAS podem ser usadas para esse fim e várias pesquisas tem sido desenvolvidas no sentido de conhecer os efeitos da adição de outros medicamentos a esse esquema, inclusive pesquisando novas drogas que poderiam ser utilizadas em substituição ao AAS na tentativa de diminuição dos efeitos colaterais causados por essa medicação.
A eficácia e a segurança da terapia com AAS para a prevenção primária de eventos aterotrombóticos ainda é controversa. Com relação à prevenção secundária já existem evidências de sua eficácia. Uma metanálise realizada pelo Antithrombotic Trialists’ Collaboration em 2002 demonstrou que os benefícios do AAS na prevenção secundária são mais pronunciados que na prevenção primária.
Sabe-se que o alvo terapêutico do AAS é a inibição da atividade da enzima ciclo-oxigenase. O estudo supracitado comparou o efeito da inibição dessa enzima utilizando-se várias dosagens de AAS. Com alguns dias de uso diário da droga na posologia de 75 mg já foi possível observar a inibição completa da atividade dessa enzima nas plaquetas. A utilização de doses mais elevadas, variando de 500 a 1500 mg diariamente (redução de 19%), não foram mais efetivas que as doses médias de 160 a 325 mg (redução de 26%), ao mesmo tempo em que manifestaram mais efeitos gastrotóxicos. As doses altas também não foram mais eficazes do que as doses baixas de 75 a 150mg (redução de 32%). Para doses <75mg a redução foi de apenas 13%.
Vale lembrar que a utilização contínua de AAS pode provocar alguns efeitos colaterais importantes, como dispepsia, sangramentos gastrointestinal, hemorragia digestiva, broncoespasmo e angioedema. Dessa forma, a utilização de menores doses deve ser preconizada.

 

Nesse sentido, a partir das informações colhidas pela metanálise e pelo que já foi dito sobre os efeitos colaterais, a recomendação para uso a longo prazo de AAS para a prevenção secundária de AVE (com eficácia e segurança) é a utilização de doses de 75 a 150 mg.

Referências
Antithrombotic Trialists’ Collaboration. Collaborative meta-analysis of randomised trials of antiplatelet therapy for prevention of death, myocardial infarction, and stroke in high risk patients. British Medicine Journal, 2002; 324(7329):71-86.
SILVA, M.V.F.; DUSSE, L.M.S.; VIEIRA, L.M.; CARVALHO, M.G. Antiagregantes plaquetários na prevenção primária e secundária de eventos aterotrombóticos. Arquivo Brasileiro de Cardiologia, 2013. 100(6): e78-e84.

Luis Fernando

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