Manejo do Paciente com DPOC estável

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Manejo do Paciente com DPOC estável

Mensagem  Michele Araujo em Qui Dez 19, 2013 10:11 pm

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma doença pulmonar progressiva de grande importância em saúde pública. É uma enfermidade respiratória prevenível e tratável.






A espirometria com obtenção da curva expiratória volume-tempo é obrigatória na suspeita clínica de DPOC, devendo ser realizada antes e após administração de broncodilatador, de preferência em fase estável da doença. Os parâmetros mais importantes avaliados na espirometria são: Capacidade vital forçada (CVF), volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) e a relação entre VEF1/CFV, pois mostram menor variabilidade inter e intra-individual. A existência de limitação do fluxo aéreo é definida pela presença da relação VEF1/CVF abaixo de 0,70 pós-broncodilatador.

Radiografia de tórax deve ser solicitada rotineiramente no paciente com DPOC, em PA e perfil, não para definição da doença e sim para fazer diagnósticos de outras doenças pulmonares, principalmente neoplasias.

A avaliação da oxigenação pode ser feita através da oximetria de pulso se identificada saturação menos que 90 é indicado fazer gasometria arterial. A oximetria dever ser realizada periodicamente em casos de exacerbação.

Diagnósticos diferenciais: Asma
Bronquiolites
Bronquiectasias
Tuberculose
Insuficiência cardíaca congestiva

Tratamento da DPOC no paciente estável: Os broncodilatadores são a base do tratamento sintomático das doenças pulmonares obstrutivas. A via de administração preferencial é a inalatória, pela ação direta nas vias aéreas e menor incidência de efeitos colaterais. Não existe consenso quanto ao tipo de broncodilatador para iniciar o tratamento da DPOC. O único acordo na literatura é que as xantinas sejam usadas como ultima opção terapêutica.  
O uso de corticóide inalatório em DPOC, observou-se a ocorrência de diminuição no número de exacerbações, porém sem alteração na taxa de mortalidade e com maior índice de efeitos colaterais do que com o placebo; foi também observado que o corticóide inalatório poderia levar o VEF1 a ter um declínio de 9,9 ml/ano menor do que o placebo. O documento GOLD recomenda o seu uso quando o paciente teve duas exacerbações no ano anterior que necessitaram de antibiótico ou corticóide oral.

TABELA 6
Orientações terapêuticas de acordo com os estádios da DPOC
Estádios Drogas
I β2
-agonista de curta duração e/ou ipratrópio, quando necessário

II Reabilitação pulmonar
• Sintomas eventuais: β2 - agonista de curta duração e/ou ipratrópio, quando necessário
• Sintomas persistentes: β2 -agonista de longa duração e/ou tiotrópio

III Reabilitação Pulmonar
β2 -agonista de longa duração e tiotrópio
Acrescentar xantina de longa duração, se persistirem sintomas
Corticóide inalatório se exacerbações freqüentes (> 2 exacerbações ao ano)

IV Reabilitação Pulmonar
β2 -agonista de longa duração e tiotrópio
Acrescentar xantina de longa duração, se persistirem sintomas
Corticóide inalatório se exacerbações freqüentes (> 2 exacerbações ao ano)
Oxigenoterapia
Estudar indicações cirúrgicas para o tratamento do enfisema (cirurgia redutora de volume pulmonar,
bulectomia ou transplante pulmonar)

Lembrando que o atendimento do paciente com DPOC deve ser multidiciplinar, umas vez que essa doença influencia e muito na qualidade de vida do paciente. Uma das definições mais clássicas estabelece que a qualidade de vida é a quantificação do impacto da doença nas atividades de vida diária e bem-estar do paciente de maneira formal e padronizada. Neste conceito está implícita a importância do papel dos questionários padronizados de qualidade de vida, que permitem a comparação objetiva (mediante pontuações com expressão numérica absolutas ou percentuais) do impacto de intervenções utilizadas na DPOC. Atenta-se ao fato de pacientes "DPOCíticos" serem ou estarem desnutridos, por isso faz-se importante o acompanhamento com nutricionistas. A reabilitação pulmonar e a cessação do tabagismo é de suma importância para garantia de qualidade de vida desse paciente.

Referências Bibliográficas: Jornal Brasileiro de Pneumologia, PUBLICAÇÃO OFICIAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA, II Consenso Brasileiro sobre Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica - DPOC - 2004

Michele Araujo

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