ESCABIOSE E DERMATITE ATÓPICA

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ESCABIOSE E DERMATITE ATÓPICA

Mensagem  Gustavo F. Nascimento em Sex Dez 20, 2013 6:01 pm

ESCABIOSE
Descrição
Parasitose da pele causada por um ácaro cuja penetração deixa lesões em forma de vesículas, pápulas ou pequenos sulcos, nos quais ele deposita seus ovos. As áreas preferenciais da pele para visualizar essas lesões são: regiões interdigitais, punhos (face anterior), axilas (pregas anteriores), região periumbilical, sulco interglúteo e órgãos genitais externos (nos homens). Em crianças e idosos, podem também ocorrer no couro cabeludo, nas palmas das mãos e plantas dos pés. O prurido intenso é causado por reação alérgica a produtos metabólicos do ácaro. Caracteristicamente essa manifestação clínica se intensifica durante a noite, por ser o período de reprodução e deposição de ovos desse agente.
  
Agente Etiológico
Sarcoptes scabiei.
 
Reservatório
O homem.
 
Modo de Transmissão
Contato direto com doentes (compartilhamento de dormitórios, relações sexuais, etc.) e por meio de fômites contaminados (roupas de cama, toalhas de banho, vestimentas).
 
Período de Incubação
De 1 dia a 6 semanas.
 
Período de Transmissibilidade
Todo o período da doença.
 
Complicações
Infecções secundárias pela “coçadura”, que, quando causada pelo estreptococo beta-hemolítico, pode levar a glomerulonefrite. Em pacientes imunocomprometidos, há risco de se estender como uma dermatite generalizada, com intensa descamação. Essa forma também pode ocorrer em idosos, nos quais o prurido é menor ou não existe. A forma intensamente generalizada é denominada de sarna norueguesa.
 
Diagnóstico
Baseia-se na sintomatologia, tipo e topografia das lesões e dados epidemiológicos. Pode ser feito também mediante a visualização do ácaro, a microscopia pelo raspado ou biópsia de pele.
 
Tratamento
·         Ivermectina, dose única, VO, obedecendo à escala de peso corporal (15 a 24 kg: 1/2 comprimido; 25 a 35 kg: 1 comprimido; 36 a 50 kg: 1 1/2 comprimido; 51 a 65 kg: 2 comprimidos; 65 a 79 kg: 2 1/2 comprimidos; 80 kg ou mais: 3 comprimidos). A dose pode ser repetida após 1 semana.
·         Permetrima a 5% em creme, uma aplicação à noite, por 6 noites, ou Deltametrina, em loções e shampoos, uso diário por 7 a 10 dias. Enxofre a 10% diluído em petrolatum deve ser usado em mulheres grávidas e crianças abaixo de 2 anos.
·         Podem-se usar anti-histamínicos sedantes (Dexclorfeniramina, Prometazina), para alívio do prurido.
·         Havendo infecção secundária, utiliza-se antibioticoterapia sistêmica.
·         Evitar a iatrogenia pelo uso de escabicida repetidas vezes.
·         Considerar fracasso terapêutico a presença de sinais e sintomas após 2 semanas.
·         Se os sintomas reaparecerem após 4 semanas, considerar reinfestação.
 
 
Medidas de controle
·         Lavar com água quente todos os fômites dos pacientes (especialmente dos portadores de sarna norueguesa), as roupas devem ficar livres do contato com o hospedeiro e contactantes por 7 dias.
·         É fundamental atentar para a necessidade de maior higiene pessoal e limpeza do ambiente.
·         Buscar casos na família ou nos residentes do mesmo domicílio do doente e tratá-los o mais breve possível, para evitar disseminação da doença.
·         Investigar a existência de casos na mesma rua, creches e outros ambientes de convivência do paciente é importante para evitar surtos comunitários.
 
Isolamento
·         Deve-se afastar o indivíduo da escola ou trabalho até 24 horas após o término do tratamento.
·          Em caso de paciente hospitalizado, recomenda-se o isolamento, a fim de evitar surtos em enfermarias, tanto para outros doentes quanto para os profissionais de saúde, especialmente no caso da sarna norueguesa.
·         O isolamento deve perdurar por 24/48 horas após o início do tratamento.
 
Referência
Ministério da Saúde. Doenças Infecciosas e Parasitárias – Guia de Bolso. 8ª edição revista. Brasília, 2010.
 






 
DERMATITE ATÓPICA
Descrição
É uma dermatose inflamatória crônica de etiologia multifatorial, caracterizada por prurido intenso e xerose cutânea. As lesões apresentam morfologia e distribuição típicas, acometendo principalmente crianças com antecedentes pessoais ou familiares de atopia. É uma erupção eczematosa pruriginosa recorrente, que geralmente se inicia nos primeiros anos de vida.


 
Manifestações clínicas
Prurido é sintoma fundamental para caracterizar a dermatite atópica. Xerose e liquenificação são fatores determinantes para que apareça o prurido espontâneo. Nos pacientes com dermatite atópica ocorre diminuição do limiar pruriginoso nas áreas acometidas; o prurido apresenta um ritmo diário, mínimo ao meio-dia e máximo à noite, acarretando inversão do sono.

Complicações
 
Infecções bacterianas:
Os pacientes com dermatite atópica apresentam freqüentemente colonização por Staphylococcus aureus (78 a 100%). Deve-se suspeitar de superinfecção quando estiverem presentes crostas melicéricas cobrindo as placas eczematozas. Os superantígenos do Staphylococcus aureus presentes na pele podem exacerbar e manter a inflamação da pele.

Infecções virais:
A vulnerabilidade às infecções virais foi atribuída a uma diminuição de atividade de células natural killer e linfócitos T supressores. As infecções mais freqüentes são: infecções virais do trato respiratório superior, verrugas, molusco contagioso, herpes zoster e herpes simples.
 
Infecções fúngicas:
Podem ser mais freqüentes em pacientes com dermatite atópica do que no restante da população. Fungos geralmente implicados: Trichophyton rubrum, Ptirosporum orbicularis e Ptirosporum ovale. Ocorrem predominantemente em couro cabeludo, face e pescoço.

Diagnóstico
O diagnóstico da dermatite atópica é centrado nas manifestações clínicas da doença. Por meio de um conjunto de critérios clínicos, é possível realizar o diagnóstico fidedigno da doença. Parâmetros para o diagnóstico de dermatite atópica:
 
Presença de prurido cutâneo somado a 3 ou mais dos critérios a seguir: (fonte modificada de Willians e col.)
 
 1- História de prurido envolvendo áreas flexurais ou cervical
 
2- História pessoal de asma ou rinite alérgica ou história familiar de doença atópica em parente de primeiro grau para menores de 4 anos
 
3- História de pele seca generalizada no último ano
 
4- Dermatite atual envolvendo áreas flexurais (ou região malar/fronte/face externa dos membros em pacientes menores de 4 anos)
 
5- Início das lesões de pele antes dos 2 anos de idade (esse critério somente é aplicado para pacientes com 4 anos ou mais)
 
6- Presença de 1 ou mais manifestações atípicas de dermatie atópica

Evolução
O curso da dermatite atópica é crônico, apresentando períodos de exacerbações e remissões. O início precoce do eczema esta correlacionado com a sua maior gravidade. Em torno de 60% dos pacientes desenvolvem a doença no primeiro ano de vida e 90% antes dos 5 anos. Somente 25% dos casos persistem na idade adulta. Nestes pacientes, observa-se associação com eczema flexural precoce e alergia respiratória.

Tratamento
O primeiro passo no controle da dermatite atópica é a educação do paciente e
seus familiares, no sentido de esclarecer a natureza crônica da doença, buscando transmitir orientações de autocuidados e informações atualizadas sobre o tratamento.
O manejo básico da dermatite atópica consiste em três pilares fundamentais:
 
1. Identificação e eliminação de fatores desencadeantes
Diversos irritantes e alérgenos podem estar envolvidos na piora da dermatite atópica. Os irritantes mais comumente implicados são: detergentes, sabões,amaciantes, roupas sintéticas, etiquetas, materiais abrasivos, poluentes, produtos químicos e condições extremas de temperatura e umidade. As recomendações incluem: utilizar sabão de glicerina neutro para roupa em geral; roupas novas devem ser lavadas previamente ao uso para reduzir a concentração de formaldeído e outros irritantes; o vestuário, de preferência, deve ser de tecido de algodão a 100%; sabonetes e xampus a base de aveia e sem perfume; banho rápido com temperatura amena e não são recomendados banhos de imersão.
.
Alérgenos ambientais e alimentares: é necessário instituir medidas visando controlar aeroalérgenos, aos quais o paciente tem sensibilização com evidência
clínica, como medidas ambientais anti-ácaros. No caso dos alérgenos alimentares, a história deve se detalhada visando encontrar alimentos suspeitos de estarem relacionados com o quadro de dermatite atópica. Para auxiliar na investigação da alergia alimentar pode-se realizar testes cutâneos, determinação de IgE específica e dieta de exclusão do alimento suspeito por 2
semanas.
 
 2. Hidratação
É um fator essencial na prevenção e controle da dermatite atópica. Sua ação primordial é restabelecer a barreira cutânea, evitando a perda exagerada de água transepidérmica. Os hidratantes essencialmente de aveia são os mais recomendados, nas peles mais ressecadas os petrolados podem ser associados a óleos. Evitar o uso de hidratantes com uréia, corantes e perfumes.
 
3. Tratamento medicamentoso
Corticoesteróides (CE):
Estes medicamentos reduzem a inflamação e o prurido. Os CE tópicos são divididos em grupos, de acordo com a potência. A eleição depende da gravidade e da extensão das lesões. Na face recomenda-se o uso de CE debaixa potência, como o acetato de hidrocortisona, pelo menor tempo possível.
Quando utilizamos CE de baixa ou média potência, é infreqüente a ocorrência de efeitos adversos como acne, estrias, hipopigmentação, telangiectasias e atrofia da pele. Os cremes devem ser utilizados para lesões agudas e sensíveis
e as pomadas para lesões crônicas.
 
Anti-histamínicos orais:
Os anti-histamínicos clássicos (dexclorfeniramina, hidroxizina), sobretudo pelo efeito sedativo em lactentes e pré-escolares, são preferencialmente recomendados. Outras gerações de anti-histamínicos, como a loratadina e a cetirizina, demonstraram ser eficazes no controle do prurido.
 
Inibidores da calcineurina:
Os imunomoduladores derivados dos macrolídeos são uma boa alternativa para o tratamento da dermatite atópica. Ao inibirem a calcineurina, impedem a transcrição das interleucinas inflamatórias (IL-2, IL-4, IL-5, IL-10) e a ativação das células T, que desempenham função capital no transtorno imunológico desta doença.
·         Tacrolimo: Seu mecanismo de ação principal ocorre por meio do bloqueio da transcrição genética de IL-2, causando diminuição da resposta de linfócitos T a antígenos. O tacrolimo tópico é apresentado na forma de pomada a 0,03% (para crianças entre 2 e 12 anos) e 0,1% (para crianças acima de 12 anos). Não atua na síntese de colágeno, portanto, não induz atrofia da pele, como também não afeta vasos sanguíneos, evitando a formação de telangiectasias. Pode ocorrer queimadura ou ardência no local da aplicação, que diminui na segunda
semana. É recomendado para pacientes com mais de 2 anos de idade, que apresentem dermatite atópica moderada ou grave. Deve-se utilizar duas vezes ao dia, até o desaparecimento das lesões.
 
·         Pimecrolimo: Interfere na estimulação das células T apresentadoras de antígenos, inibe o fator de necrose tumoral e inibe a liberação de triptase
e histamina dos mastócitos. Pode ser utilizado em pacientes com mais de 6 meses de idade acometidos de dermatite atópica leve ou moderada. O medicamento é apresentado na forma de creme a 1% e deve ser utilizado duas vezes ao dia, podendo ser mantido por até semanas. Os efeitos adversos mais comuns são ardor e queimação no local de aplicação. O tratamento de manutenção com pimecrolimo tópico reduziu significativamente as exacerbações e diminuiu a necessidade de terapia com CE.
 
O pimecrolimo e o tacrolimo são medicamentos eficazes e seguros no tratamento dos pacientes com dermatite atópica, desde que seja observada a indicação adequada.
 
 
Referência:


 

Gustavo F. Nascimento

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