Prostatite

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Prostatite

Mensagem  Diógenes Coelho em Sex Dez 20, 2013 8:49 pm

O termo prostatite foi usado para várias condições inflamatórias que afetam a próstata, incluindo infecções agudas e crônicas com bactérias específicas e, mais comumente, situações nas quais os sinais e sintomas de inflamação prostática estão presentes, mas não se consegue identificar nenhum organismo específico. Os pacientes com prostatite bacteriana aguda em geral podem ser identificados prontamente com base nos sinais e sintomas típicos, piúria e bacteriúria. Para classificar corretamente um paciente com suspeita de prostatite crônica, uma amostra de urina do jato médio, uma compressão (massagem) prostática e uma amostra de urina pós-massagem devem ser cultivadas quantitativamente e avaliadas para determinar o número de leucócitos. Com base nesses estudos assim como em outras condições, os pacientes com suspeita de prostatite crônica podem ser categorizados como tento prostatite bacteriana crônica ou síndrome de dor pélvica crônica, com ou sem inflamação.

Prostatite bacteriana aguda
Geralmente afeta jovens, mas também é comum em idosos após cateter uretral de demora. É caracterizada por febre, calafrios, disúria e uma próstata tensa ou edemaciada e extremamente sensível. A massagem prostática produz habitualmente secreções purulentas com grande número de bactérias na cultura, porém a massagem vigorosa pode causar bacteremia e deve ser evitada. Em geral o agente etiológico pode ser identificado pela coloração Gram e cultura da urina. Nos casos que não estão associados a cateteres, a infecção em geral é provocada por patógenos Gram-negativos comuns do trato urinário (Escherichia coli ou Klebsiella). Inicialmente, uma fluoroquinolona intravenosa é o esquema antibiótico preferido; como alternativa, pode ser administrada uma cefalosporina de 3ª geração ou um aminoglicosídio. A resposta aos antibióticos na prostatite bacteriana aguda costuma ser imediata, talvez porque os medicamentos penetram prontamente na próstata com inflamação aguda. Nos casos associados ao cateter, o espectro de agentes etiológicos é mais amplo, incluindo bastonetes Gram-negativos adquiridos no hospital e enterococos. A coloração Gram da urina pode ser particularmente útil nesses casos. O imipeném, uma fluoroquinolona ou uma cefalosporina de 3ª geração devem ser utilizados como terapia empírica inicial. O prognóstico a longo prazo é bom, porém em alguns casos a infecção aguda pode resultar na formação de um abscesso, em epididimorquite, vesiculite seminal, septicemia ou prostatite bacteriana crônica residual.

Prostatite bacteriana crônica
Passou a ser infrequente, mas deve ser aventada em homens com história de bacteriúria recorrente. A ausência de sintomas entre os episódios é bastante frequente e, em geral, a próstata transmite uma sensação normal à palpação. Os sintomas obstrutivos ou a dor perineal se instalam em alguns pacientes. Intermitentemente, a infecção se propaga para a bexiga, produzindo maior frequência miccional, urgência e disúria. Um padrão de infecção recorrente em um homem de meia-idade sugere enfaticamente uma prostatite bacteriana crônica. Classicamente, o diagnóstico é estabelecido pela cultura de E. coli, Klebsiella, Proteus ou outras bactérias uropatogênicas da secreção prostática rápida ou da urina pós-massagem em maiores quantidades que aquelas encontradas na urina do jato médio. Os antibióticos aliviam prontamente os sintomas associados às exacerbações agudas, porém são menos efetivos na erradicação do foco de infecção crônica na próstata. A ineficácia relativa em termos de cura a longo prazo é decorrente em parte da penetração precária da maioria dos antibióticos na próstata. A esse respeito, as fluoroquinolonas são consideravelmente mais bem-sucedidas que os outros agentes antimicrobianos, porém até mesmo esses em geral deverão ser administrados por pelo menos 12 semanas para serem efetivos. Os pacientes com episódios frequentes de cistite aguda nos quais as tentativas de terapia curativa falham podem ser tratados com sequencias supressivas prolongadas de agentes antimicrobianos em pequenas doses (habitualmente uma sulfonamida, TMP ou nitrofurantoína). A prostatectomia total resulta obviamente em cura da prostatite crônica, porém está associada a uma morbidade considerável. A prostatectomia transuretral é mais segura, mas cura apenas 33% pacientes.

Síndrome de dor pélvica crônica
Os pacientes se apresentam com sintomas de prostatite (dor perineal e lombossacra intermitente, sintomas miccionais obstrutivos), poucos sinais ao exame, nenhum crescimento bacteriano nas culturas e nenhuma histórias de episódios recorrentes de prostatite bacteriana são classificados como tendo a síndrome de dor pélvica crônica (SDPC). Os pacientes com SDPC são subdivididos em subgrupos inflamatório e não-inflamatório com base na presença ou ausência de inflamação prostática rápida e a urina pos-massagem contém pelo menos 10 vezes mais leucócitos que a urina do jato médio ou quando a secreção prostática rápida contém número igual ou maior que 1000 leucócitos por microlitro. A provável etiologia da SDPC associada a uma inflamação é um agente infeccioso, porém o agente ainda não foi identificado. A evidência favorável a um papel causal tanto de U. urealytiticum quanto de C. trachomantis já foi apresentada, porém não é conclusiva. Como a maioria dos casos de SDPC inflamatória ocorre em homens jovens sexualmente ativos e levando-se em conta que muitos casos acompanham um episódio de uretrite inespecífica, o agente causal pode ter sido transmitido sexualmente. A eficácia dos agentes antimicrobianos nesta condição é duvidosa. Alguns pacientes são beneficiados por uma sequencia de 4 a 6 semanas de tratamento com eritromicina, doxiciclina, SMX-TMP ou uma fluoroquinolona, porém ainda faltam ensaios controlados. Os pacientes com sinais e sintomas de prostatite, mas que não exibem evidência de inflamação prostática (contagens de leucócitos normais) e com culturas de urina negativas, são classificados como tendo uma SDPC não-inflamatória. Apesar de seus sintomas, é extremamente provável que esses pacientes não tenham uma infecção prostática e não devem ser medicados com agentes antimicrobianos.

Fauci AS, Braunwald E, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Jameson JL, Loscalzo J, Harrison TR. Harrison medicina interna. Tradução da 17ª edição. Rio de Janeiro: McGraw-Hill Interamericana do Brasil, 2008.

Diógenes Coelho

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