Avaliação pré-exercício e prescrição de exercício

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Avaliação pré-exercício e prescrição de exercício

Mensagem  EduardoCM em Dom Maio 25, 2014 10:45 pm

A avaliação que antecede o exercício deve focar no risco potencial de doença coronariana, existe evidência que aponta que avaliação médica de pacientes assintomáticos, jovens e de baixo risco cardiovascular é desnecessária. Com isso em mente a associação americana de cardiologia e o colégio americano de medicina esportiva fizeram um questionário chamado PAR-Q o qual o paciente deve responder antes da consulta médica, se ele responder não em todos os quesitos pode realizar atividades sem consulta médica, se ao menos uma resposta for positiva essa pessoa deve procurar um médico.
As perguntas do PAR-Q são as que seguem: 1- O seu médico já disse alguma vez que você tem algum problema cardíaco ou que só deve realizar exercício físico recomendado por um médico? 2- Você sente dor no peito quando realiza atividades físicas? 3- No último mês, você já sentiu dor no peito sem realizar nenhuma atividade física? 4- Você se desequilibra por tontura ou já perdeu a consciência alguma vez? 5- Você tem algum problema articular que pode piorar com a mudança da realização de exercícios físicos 6- Seu médico está prescrevendo algum medicamento para pressão alta ou outra doença cardíaca? 7-Você sabe de alguma razão pela qual você não pode realizar atividades físicas?
O PAR-Q é recomendado para todos aqueles que querem realizar exercícios de moderada a grande intensidade, todavia sua utilidade é maior em populações mais jovens, estudos mostram que 90% da população acima de 40 anos responde sim a pelo menos uma das perguntas. Uma vez decido fazer rastreio de doença coronariana não existe um teste que sobressaia sobre os demais, todavia o teste ergométrico é considerado o melhor custo benefício.
Apesar do teste ergométrico já estar bem consolidado como ferramenta de rastreio é importante saber que o VPP do teste é bastante modificado caso o paciente já possua fatores de risco para eventos coronarianos como ICC, HAS, DM, dislipidemia, tabagismo e história familiar de morte súbita. Em um estudo com cerca de 26 mil homens assintomáticos acompanhados em média por 8 anos mostrou que o teste ergométrico negativo demonstrava uma sobrevida de quase 100%, alterando pouco no caso da presença de fatores de risco. Já no caso do teste positivo, os pacientes sem fatores de risco tiveram sobrevida de cerca de 93% e os com fatores de risco cerca de 89%. Outro estudo prospectivo de 20 anos mostrou que o teste ergométrico é um bom preditor de eventos coronarianos para homens com risco calculado pela escala de Framingham entre 10-19% e mulheres entre 6-19%.
O eletrocardiograma de repouso é uma ferramenta bem mais barata e se o paciente apresentar anormalidades de ST, inversão da onda T, padrão de sobrecarga esquerda, extrassístoles ventriculares ou bloqueio de ramo esquerdo estudos sugerem que tenha cerca de 2-10x mais chances de eventos coronarianos, todavia o VPN desse estudo é muito melhor do que o VPP devido a inespecificidade do teste. Apesar de ser uma ferramenta útil, o teste ergométrico não pode ser realizado em pacientes com alterações no ECG de repouso que interfiram com a análise como síndromes de pré-excitação, BRE completo, mais de 1mm de depressão no segmento ST e ritmo ventricular. Nesses pacientes a cintilografia ou o ecocardiograma de repouso podem ser indicados.
Não existe uma receita padronizada para todos os indivíduos, estima-se que 150 minutos de exercício aeróbico moderado ou 75 dessa mesma modalidade, mas de intensidade vigorosa são o suficiente por semana. Há evidências que o aumentos modestos da atividade física já é capaz de modificar o risco do paciente, por isso é importante favorecer o aumento do exercício, mesmo que as metas acima não sejam atingidas.
A prescrição da modalidade de exercício também deve ser personalizada, levando sempre em consideração as preferencias do paciente e a capacidade do mesmo realizar as atividades. Existem 4 partes da prescrição de exercício: 1-Modalidade (resistência ou hipertrofia) 2-Frequencia, 3-Intensidade 4-Duração. A modalidade deve ser escolhida pelo paciente com o que melhor o apetecer, a maioria dos pacientes costuma fazer exercícios de resistência como caminhadas ou ciclismo por ser mais barato. A freqüência deve ser de 3-5x por semana para resistência e 2-3x para hipertrofia de cada grupo muscular, a intensidade deve ser monitorada pela FC máxima (220-idade ou a máxima do teste ergométrico) e a duração de 20-60 minutos.

FONTE: http://www.uptodate.com/contents/overview-of-the-benefits-and-risks-of-exercise?source=preview&language=en-US&anchor=H31#H31

EduardoCM

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Mensagem  Rodrigo Pastor em Seg Maio 26, 2014 3:33 pm

Lendo o seu post, me surgiu uma dúvida: você solicitaria um TE para quais pacientes antes de iniciar uma atividade física?
Pastor

Rodrigo Pastor

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