Prevenção e tratamento da dependência por benzodiazepínicos

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Prevenção e tratamento da dependência por benzodiazepínicos

Mensagem  Leonardo Panzera em Sex Dez 05, 2014 3:47 pm

O uso de benzodiazepínicos (BZD) é comum para transtornos de ansiedade, insônia, abstinência alcoólica, como terapia adjuvante na esquizofrenia e depressão, e como o relaxante muscular. Seus benefícios de curto prazo são bem reconhecidos, mas o seu uso a longo prazo apresenta riscos como: sonolência diurna, reflexos embotados, perda de memória, aumento do risco de quedas e fraturas de quadril. Além disso, um importante risco observado com o uso prolongado é a dependência por benzodiazepínicos. Assim, a utilização de BZD a longo prazo é geralmente inapropriada, e estes medicamentos devem ser utilizados apenas em circunstâncias específicas e por curtos períodos a fim de se evitar dependência e outros efeitos adversos.
Como foi demonstrado em vários estudos, a retirada do BZD deve ser flexível e gradual, sendo recomendada uma redução de cerca de 25% da dose a cada semana. Alguns estudos apresentaram sucesso na retirada dos BZD através de estratégias baseadas em inúmeras intervenções porém que exigiam recursos intensivos e inúmeras visitas clínicas. Alguns desses estudos utilizaram-se de estratégias com inúmeras intervenções, mas a maioria exigiram recursos intensivos e várias visitas clínicas, o que pode ser inviável na atenção básica. Em outros ensaios, observou-se sucesso na retirada do medicamento através da "intervenção mínima", como por exemplo uma simples carta, o que pode ser mais amplamente aplicável. Além da carta, consulta rápida com médico da atenção primária também é considerada estratégia de intervenção mínima. Nessas formas de abordagem deve ser demonstrada a preocupação com relação ao uso prolongado de benzodiazepínicos, seu potencial de efeitos adversos e orientações para cessar o uso do BZD gradativamente. A intervenção breve na forma de uma carta ou uma única consulta por GPs, para os usuários de longo prazo de BZD, se mostrou uma estratégia eficaz e eficiente para diminuir ou parar a medicação, sem causar efeitos adversos.

Pacientes que não conseguem concluir o plano de redução gradual podem se beneficiar da troca para um agente de meia-vida mais longa, como o diazepam ou clonazepam. Estudos demonstraram que o diazepam é a droga de escolha para tratar pacientes com dependência, por ser rapidamente absorvido e por ter um metabólito de longa duração – o desmetildiazepam – o que o torna a droga ideal para o esquema de redução gradual, pois apresenta uma redução mais suave nos níveis sangüíneos. O melhor local para tratamento é o ambulatorial, pois leva o maior engajamento do paciente e possibilita que, tanto mudanças farmacológicas quanto psicológicas, possam ocorrer ao mesmo tempo.Suporte psicológico deve ser oferecido e mantido tanto durante quanto após a redução da dose, incluindo informações sobre os benzodiazepínicos, reasseguramento, promoção de medidas não-farmacológicas para lidar com a ansiedade.



Referências:
1- Mugunthan K, McGuire T, Glasziou P. Minimal interventions to decrease long-term use of benzodiazepines in primary care: a systematic review and meta-analysis. Br J Gen Pract. 2013 Jan;63(606):12. disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22152740>
2- Gagliardi RJ, Raffin CN. Abuso e dependência de bezodiazepínicos. Projeto Diretrizes. disponível em <http://www.projetodiretrizes.org.br/projeto_diretrizes/004.pdf>

Leonardo Panzera

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