Tratamento da Doença Arterial Obstrutiva Periférica

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Tratamento da Doença Arterial Obstrutiva Periférica

Mensagem  Laura Rodrigues Sefair em Dom Dez 14, 2014 4:52 pm

Todos os pacientes, independentemente dos sintomas, devem realizar uma modificação agressiva dos fatores de risco. Controle da pressão arterial (diabético: <140/90 mmHg; não diabético e ≥60 anos: <150/90 mmHg; não diabético e <60 anos: <140/90 mmHg), controle lipídico (LDL <2.59 mmol/L [<100 mg/dL]), abandono do hábito de fumar,  controle da diabetes (HgA1c <7.0) e terapia antiagregante plaquetária são recomendados.

Claudicação (não limitante do estilo de vida)
Para pacientes com claudicação e DVP estabelecida que não têm incapacitação funcional significativa, não é necessário nenhum tratamento adicional. São necessárias consultas de acompanhamento, pelo menos uma vez por ano, para monitorar o desenvolvimento de sintomas coronários, cerebrovasculares ou isquêmicos na perna.

Claudicação (limitante do estilo de vida)
Os pacientes com sintomas limitantes do estilo de vida devem realizar tanto um programa de exercícios supervisionado quanto uma terapia farmacológica para o alívio dos sintomas por 3 meses. Em diversos estudos (mas de qualidade limitada) a terapia de exercícios demonstrou melhora no tempo de caminhada e no alívio dos sintomas. Um programa de exercícios supervisionado consiste em um treinamento de 30 a 45 minutos por seção, 3 vezes por semana, por 12 semanas.
O alívio dos sintomas pode ser obtido com pentoxifilina, cilostazol ou naftidrofurila. Se houver melhora clínica com um programa de exercícios e medicamentos, são recomendadas consultas de acompanhamento. Entretanto, se não houver melhora clínica, os pacientes deverão ser encaminhados a um especialista vascular para definição e avaliação da anatomia para a revascularização.

Encaminhamento para revascularização
Os seguintes pacientes devem ser encaminhados a um especialista vascular para definição e avaliação da anatomia:
• Pacientes com claudicação limitante do estilo de vida que não apresentam alívio dos sintomas nem melhora com exercícios
• Pacientes com sintomas de isquemia crítica de membro (dor isquêmica em repouso, gangrena e feridas/úlceras que não cicatrizam no pé)
• Pacientes com isquemia aguda de membro (súbita redução na perfusão do membro com ameaça a viabilidade tecidual).
A revascularização é recomendada para pacientes que apresentam claudicação limitante do estilo de vida e que não obtêm benefícios de medicamentos combinado a um programa de exercícios.

Revascularização endovascular ou cirúrgica
As técnicas endovasculares incluem angioplastia transluminal percutânea (ATP) com dilatação por balão, stents, aterectomia, laser, cutting balloons e angioplastia térmica.
Para a doença aortoilíaca, a revascularização endovascular é recomendada para estenoses com extensão <10 cm e oclusões crônicas <5 cm. Para outras lesões com estenose >10 cm, oclusões crônicas >5 cm, lesões altamente calcificadas e lesões associadas a aneurisma aórtico, a cirurgia é recomendada. A cirurgia não deve ser oferecida a pacientes com uma grande quantidade de perda tecidual ou infecção extensa.
Para a estenose da artéria femoropoplítea, é recomendada a terapia endovascular se houver estenose distinta <10 cm ou estenose calcificada <5 cm.
A revascularização cirúrgica é recomendada para lesões que envolvem a artéria femoral comum, lesões >10 cm, lesões altamente calcificadas >5 cm, lesões que envolvem o óstio da artéria femoral superficial e a artéria poplítea.
Para lesões da artéria infrapoplítea, o tratamento endovascular tem sido limitado somente a casos de ameaça de perda do membro. Ao contrário das lesões femoropoplíteas ou aortoilíacas, a falha na intervenção endovascular pode impossibilitar a revascularização cirúrgica. Portanto, uma cuidadosa seleção é essencial. A taxa de patência da revascularização cirúrgica para a artéria infrapoplítea é baixa, mas pode ser discretamente melhor com a técnica in situ. Independentemente do procedimento selecionado, todos os pacientes submetidos à revascularização cirúrgica ou endovascular devem receber tratamento vitalício com aspirina (75-100 mg/dia).


Referência: Doença Vascular Periférica - BMJ Publishing Group Limited 2014. Última atualização: Ago 06, 2014.

Laura Rodrigues Sefair

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