ROTINA LABORATORIAL NA GESTAÇÃO DE RISCO HABITUAL SEGUNDO MS

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ROTINA LABORATORIAL NA GESTAÇÃO DE RISCO HABITUAL SEGUNDO MS

Mensagem  Convidad em Dom Jun 30, 2013 12:08 pm



REFERÊNCIA: CAPÍTULO 7 DO LIVRO NOÇÕES PRÁTICAS DE OBSTETRÍCIA - ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL. AUTORES: DÉBORAH RANDAZZO BARBOSA DE MAGALHÃES, ESTEFÂNIA BARBOSA MAGALHÃES E LÍVIA MURTA TANURE.

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CADERNO DO MS SOBRE PRÉ-NATAL E PUERPÉRIO

Mensagem  Convidad em Dom Jun 30, 2013 12:16 pm

De acordo com o Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento, é
critério fundamental para o acompanhamento pré-natal a solicitação dos seguintes
exames:
• Grupo sangüíneo e fator Rh (quando não realizado anteriormente);
• Sorologia para sífilis (VDRL);
• Urina tipo I;
• Hemoglobina e hematócrito (Hb/Ht);
• Glicemia de jejum;
• Teste anti-HIV com aconselhamento pré-teste e consentimento da mulher;
• Sorologia para hepatite B (HBsAg), se disponível;
• Sorologia para toxoplasmose, se disponível;
• Colpocitologia oncótica,quando indicada.


INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS E CONDUTAS
9.1 TIPAGEM SANGÜÍNEA/FATOR Rh
• Fator Rh positivo: escrever no cartão o resultado e informar à gestante
sobre seu tipo sangüíneo;
• Fator Rh negativo e parceiro com fator Rh positivo e/ou desconhecido:
solicitar teste de Coombs indireto. Se o resultado for negativo, repeti-lo
em torno da 30ª semana. Quando o Coombs indireto for positivo,
encaminhar a gestante ao pré-natal de alto risco.
9.2 SOROLOGIA PARA SÍFILIS (VDRL)
• VDRL negativo: escrever no cartão e informar à gestante sobre o resultado
do exame e o significado da negatividade, orientando-a para o uso de
preservativo (masculino ou feminino). Repetir o exame em torno da 30ª
semana, no momento do parto ou em caso de abortamento, em virtude
dos riscos sempre presentes de infecção/reinfecção;
VDRL positivo: solicitar testagem do(s) parceiro(s) e o teste confirmatório
(FTA-Abs ou MHATP), sempre que possível. Se o teste confirmatório for
"não reagente", descartar a hipótese de sífilis e considerar a possibilidade
de reação cruzada pela gravidez e outras doenças, como lúpus, e encaminhar
a gestante para consulta com especialista. Se o teste confirmatório for
"reagente", o diagnóstico de sífilis está afirmado, devendo ser instituído
o tratamento e o acompanhamento, segundo esquema descrito no item
13.10.
• Na impossibilidade de se realizar teste confirmatório em tempo hábil, e
a história passada de tratamento não puder ser resgatada, considerar o
resultado positivo em qualquer titulação como sífilis em atividade.
O tratamento será instituído imediatamente à mulher e a seu(s)
parceiro(s) sexual(ais) na dosagem e periodicidade adequadas
correspondente a sífilis tardia latente de tempo indeterminado.

9.3 URINA TIPO I
Valorizar a presença dos seguintes componentes:
• Proteínas: “traços” sem sinais clínicos de pré-eclâmpsia (hipertensão,
ganho de peso) – repetir em 15 dias; “positivo” na presença de hipertensão
– pré-eclâmpsia leve. Orientar repouso e controle de movimentos fetais,
alertar para a presença de sinais clínicos, se possível solicitar proteinúria em
urina de 24 horas e agendar retorno em, no máximo, sete dias; e “maciça”
referir imediatamente ao pré-natal de alto risco;
• Bactérias/leucócitos/piócitos sem sinais clínicos de infecção do trato
urinário: deve-se solicitar urocultura com antibiograma e agendar retorno
mais precoce que o habitual para resultado do exame. Se o resultado for
positivo, tratar segundo o item 13.9;
• Hemáceas se associadas à bacteriúria: proceder da mesma forma que o
anterior. Se hematúria isolada, excluir sangramento genital e referir para
consulta especializada;
• Cilindros: referir ao pré-natal de alto risco.

9.4 HEMATIMETRIA – DOSAGEM DE HEMOGLOBINA E HEMATÓCRITO
• Hemoglobina ≥11 g/dl: ausência de anemia. Manter a suplementação
de 40 mg/dia de ferro elementar e 5 mg de ácido fólico, a partir da
20ª semana, devido à maior intolerância digestiva no início da gravidez.
Recomenda-se ingestão uma hora antes das refeições.
• Hemoglobina < 11 g/dl e > 8 g/dl: diagnóstico de anemia leve a moderada.
Solicitar exame parasitológico de fezes e tratar parasitoses, se presentes,
segundo o item 13.16. Prescrever sulfato ferroso em dose de tratamento de anemia ferropriva (120 a 240 mg de ferro elementar/dia), de três a seis drágeas
de sulfato ferroso/dia, via oral, uma hora antes das principais refeições.

SULFATO FERROSO: um comprimido = 200 mg, o que corresponde a 40 mg de
ferroelementar.
Repetir o exame em 60 dias. Se os níveis estiverem subindo, manter o
tratamento até a hemoglobina atingir 11 g/dl, quando deverá ser mantida a dose de
suplementação (60 mg ao dia), e repetir o exame em torno da 30ª semana. Se os níveis
de hemoglobina permanecerem estacionários ou em queda, referir a gestante ao pré-
natal de alto risco.
• Hemoglobina < 8 g/dl: diagnóstico de anemia grave. A gestante deve ser
referida imediatamente ao pré-natal de alto risco.

9.5 GLICEMIA DE JEJUM
A dosagem da glicemia de jejum é o primeiro teste para avaliação do estado
glicêmico da gestante. O exame deve ser solicitado a todas as gestantes na primeira
consulta do pré-natal, como teste de rastreamento para o diabetes mellitus
gestacional (DMG), independentemente da presença de fatores de risco. O resultado
deve ser interpretado segundo o esquema a seguir. Se a gestante está no primeiro
trimestre, a glicemia de jejum auxilia a detectar alterações prévias da tolerância à
glicose.

9.6 TESTE ANTI-HIV
Deve ser sempre oferecido e acompanhado do aconselhamento pré e pósteste, embora a decisão de realizar, ou não, seja da mulher. O aconselhamento
pré-teste está descrito no item 6.1. Com o resultado do exame em mãos, o
profissional de saúde (que também deverá estar capacitado para aconselhar
adolescentes), fará o aconselhamento pós-teste, conforme segue.
• Resultado negativo: esse resultado poderá significar que a mulher não
está infectada ou que foi infectada tão recentemente que não houve
tempo para seu organismo produzir anticorpos em quantidade que possa
ser detectada pelo teste utilizado (janela imunológica). Nesses casos, a
necessidade de novo teste poderá ser considerada pelo profissional, com
base nas informações colhidas durante o processo de aconselhamento
pré-teste. Diante dessa suspeita, o teste anti-HIV deverá ser repetido
entre 30 e 90 dias, orientando-se a mulher e seu parceiro para o uso
de preservativo (masculino ou feminino) em todas as relações sexuais. O
profissional de saúde deverá colocar-se à disposição da mulher, sempre
que necessário, para prestar esclarecimento e suporte durante o intervalo
de tempo que transcorrerá até a realização da nova testagem.
Em todos os casos, o profissional deverá:
– discutir o significado do resultado;
– reforçar as informações sobre os modos de transmissão do HIV, de outras
DST e as medidas preventivas;
– reforçar a informação de que teste negativo não significa prevenção, nem
imunidade;
– informar que o teste deve ser repetido a cada nova gestação • Resultado indeterminado: esse resultado poderá significar falso positivo
ou verdadeiro positivo de infecção recente, cujos anticorpos anti-HIV
circulantes não estão, ainda, em quantidade suficiente para serem
detectados pelo teste utilizado. Nessa situação, o teste deverá ser
repetido em 30 dias, orientando-se a mulher e seu parceiro para o uso de
preservativo (masculino ou feminino) em todas as relações sexuais. Diante
desse resultado, o profissional deverá:
– discutir o significado do resultado;
– encorajar para a nova testagem, oferecendo apoio emocional sempre
que se fizer necessário;
– orientar para procurar o serviço de saúde, caso surjam sinais e sintomas
não atribuíveis à gestação;
– reforçar sobre as medidas para prevenção do HIV e de outras DST.
Nota: se a gestante se enquadrar em um dos seguintes critérios de
vulnerabilidade (portadora de alguma DST e usuária ou parceira de usuário
de drogas injetáveis em prática de sexo inseguro) e tiver o resultado da
nova testagem negativa, o exame deve ser repetido no final da gestação
(36ª e 37ª semanas) ou no momento da internação para o parto (teste rápido
anti-HIV).
• Resultado positivo: diante desse resultado, o profissional deverá:
– discutir o significado do resultado, ou seja, reforçar a informação
de que estar infectada pelo HIV não significa portar a Síndrome
da Imunodeficiência Adquirida (aids), que é o estágio avançado da
infecção, e que existem remédios para controlar a infecção materna e
reduzir muito a possibilidade de transmissão para o bebê, devendo, para
isso, a mãe ser avaliada e medicada adequadamente por profissional
especializado na assistência a pessoas portadoras do HIV.

9.7 SOROLOGIA PARA HEPATITE B (HBsAg)
Recomenda-se, sempre que possível, a triagem para a hepatite B. O HBsAg
– antígeno de superfície do vírus da hepatite B (VHB) – é o primeiro marcador que
aparece no curso da infecção aguda pelo VHB e desaparece com a cura. Sua persistência
por mais de 6 meses é indicativa de hepatite crônica. Portanto, HBsAg positivo indica
presença de infecção pelo VHB, podendo ser aguda ou crônica.
9.8 SOROLOGIA PARA TOXOPLASMOSE

Recomenda-se, sempre que possível, a triagem para toxoplasmose por meio da
detecção de anticorpos da classe IgM (Elisa ou imunofluorescência). Em caso de IgM
positiva, significa doença ativa e o tratamento deve ser instituído.

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