Esquistossomose Mansonica - Classificação e Tratamento

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Esquistossomose Mansonica - Classificação e Tratamento

Mensagem  Luisa Coutinho em Sex Mar 27, 2015 2:18 pm

A clinica da esquistossomose mansônica apresenta duas fases, uma aguda e uma crônica.

A fase aguda ocorre cerca de 1 a 2 meses após a penetração da cercária na pele, e apresenta-se sob forma leve com diarréia, febrícula, cefaléia, sudorese, astenia, anorexia e emagrecimento. Pode ainda ter início abrupto, com febre, cefaléia, calafrios, sudorese, astenia, anorexia, mialgia, tosse e diarréia (às vezes, disenteria, acompanhada de dores abdominais e distensão do abdome); náuseas e vômitos são comuns. Manifestações de hipersensibilidade como urticária, prurido generalizado, edema da face, placas eritematosas ou lesões purpúricas também podem ocorrer. Raramente os pacientes desenvolvem na fase aguda quadros clínicos mais graves com icterícia, coma ou abdome agudo.

O quadro clinico na fase crônica varia desde a ausência de alterações hemodinâmicas acentuadas até formas clinicas severas com hipertensão porta, hipertensão pulmonar, síndrome cianótica, glomerulopatias, forma pseudoneoplasica, neuroesquistossomose, forma panvisceral, etc. a principal complicação da esquistossomose mansônica é a hipertensão portal.

De maneira geral, os sintomas e a morbidade da EM dependem do número de ovos depositados pelo parasita, e da susceptibilidade do paciente, podendo ocorrer as seguintes formas clinicas:

Tipo 1 ou Forma Intestinal - É a mais comumente encontrada. Pode ser assintomática ou caracterizada por diarréias repetidas, do tipo mucosangüinolenta ou não. O fígado e o baço não são palpáveis, embora exista, freqüentemente, queixa de dor abdominal no hipocôndrio direito.

Tipo 2 ou Forma Hepatointestinal - os sintomas intestinais são semelhantes aos descritos para a forma intestinal, sendo, porém, mais freqüentes os casos com diarréia e epigastralgia. Há hepatomegalia e, na palpação, pode ser percebida a presença de nodulações grosseiras de tamanhos variáveis, correspondentes às áreas de fibrose decorrentes da granulomatose periportal (fibrose de Symmers), que embora não patognomônico, é sugestiva de esquistossomose. O baço não é palpável.

Tipo 3 ou Forma Hepatoesplênica Compensada - presença de hepatoesplenomegalia e de lesões perivasculares intra-hepáticas com transtornos na circulação portal e certo grau de hipertensão (geralmente crianças não apresentam hipertensão portal), com congestão passiva do baço; inicia-se circulação colateral com o aparecimento de varizes do esôfago; nesse estágio, o paciente já se encontra bastante comprometido.

Tipo 4 ou Forma Hepatoesplênica Descompensada - presença de fígado volumoso ou já contraído por fibrose perivascular, esplenomegalia avantajada, ascite, circulação colateral, varizes do esôfago, hematême- se, anemia acentuada, desnutrição e hiperesplenismo; formas pulmona- res e cárdio-pulmonares são também indicativas de estágios avançados da doença; a maioria dos óbitos pela doença acontece nessa forma.

Tratamento

O tratamento elimina os vermes e evita o desenvolvimento de formas graves da doença. A quimioterapia pode também promover a redução da hepatoesplenomegalia. Observada a inexistência de contra-indicações, todo caso confirmado deve ser tratado.

Na atualidade o tratamento da doença dispõe de duas drogas: o praziquantel e a oxamniquine. Ambas as drogas são administráveis em dose única. A dosagem do praziquantel é 50 mg por quilo de peso corporal (mg/Kg) em adultos e 60 mg/kg para crianças até 15 anos, enquanto a oxamniquine é administrável na dosagem de 15 mg/kg de peso para adultos e 20 mg/kg para crianças até 15 anos.

Discussão do caso:
O paciente atendido hoje na UBS Antônio Dias, teve seu diagnóstico de esquistossomose mansônica realizado através de biópsia retal, realizada quando de uma colonoscopia para avaliação pre operatória de uma fistula anorretal. Foram encontrados ovos viáveis de S. mansoni na amostra da mucosa retal. Classificamos este paciente como tendo a forma intestinal da doença (tipo 1) e prescrevemos tratamento com praziquantel. O paciente pesava 90kg, desta forma prescrevemos dose única de 8cp de Praziquantel 600mg, que é a dosagem disponível no SUS. O controle de cura deste paciente será feito por EPF Kato-katz 3 amostras em 30, 60 e 90 dias.

Referências:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cab_n21_vigilancia_saude_2ed_p1.pdf
ftp://ftp.cve.saude.sp.gov.br/doc_tec/hidrica/doc/manu_esqui.pdf

Luisa Coutinho

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