Prevenção da Litíase Renal

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Prevenção da Litíase Renal

Mensagem  Larissa Amaral em Qui Jun 04, 2015 8:21 pm

A litíase renal é uma patologia frequente, com uma incidência global de 2% a 3% (1). É a terceira patologia mais frequente do aparelho genitourinário, sendo apenas ultrapassada pelas infecções urinárias e pela patologia da próstata. A maior proporção dos cálculos renais é de constituição mista, sendo que cerca de 30 % são monominerais (2). O mineral mais frequentemente encontrado é o oxalato de cálcio.
Admite-se que 50 % dos doentes não tratados têm recorrência da litíase num período de 5 anos (3). Desta forma é importante em doentes selecionados a realização de estudos metabólicos que permitam de forma econômica e eficiente, identificar e  corrigir os desequilíbrios que causem a litíase renal. Com o tratamento médico profilático geral e específico das alterações metabólicas da litíase, são possíveis taxas de remissão de 80 % o que o torna um elemento chave nas medidas gerais de prevenção da doença (3).

A investigação de um primeiro episódio de litíase deve ser uma decisão partilhada pelo médico e doente (4). Nas formas não complicadas opta-se por uma avaliação simples. Considera-se que o risco baixo de recorrência da litíase não justifica em termos da relação custo- -benefício a realização de uma avaliação detalhada (5, 6).

Assim inicialmente, são realizados:
- Uma história clínica completa incluindo medicação utilizada, consumo de líquidos e hábitos alimentares.
- Coleta de sangue para bioquímica (ureia, creatinina, potássio, cloro, sódio, fósforo, cálcio e ácido úrico) e doseamento de HPT, o que pode detectar algumas patologias que podem ser a causa de litíase.
- Realiza-se análise da urina tipo 2 e urinocultura. A determinação do pH é fundamental pois um pH inferior a 5,5 pode indicar a presença de litíase úrica e um pH superior a 7 sugere litíase de infecção.
- O sedimento urinário e a cristalúria podem dar indicações sobre o tipo de cálculo presente.
- O isolamento de bactérias desdobradoras da urease na cultura da urina sugere a presença de um cálculo de infecção.
- Pode ainda realizar-se um teste qualitativo para a detecção de cistinúria – teste de nitroprussido.
- Realiza-se telerradiografia simples e ecografia das vias urinárias, e o cálculo é enviado para análise preferencialmente especto-fotométrica.

Se em alguma destas investigações detectar alterações é necessário uma avaliação detalhada.
O estudo metabólico permite chegar a um diagnóstico específico da doença litiásica em cerca de 97 % dos casos (1). A detecção dos fatores de risco possíveis de corrigir ou tratar, é fundamental para a prevenção posteriores episódios litiásicos (7,8 ).

Várias medidas são indicadas para todos os doentes com litíase independentemente dos fatores de risco subjacentes (9,10). São medidas de caráter preventivo e educativo, que muitas vezes envolvem mudanças de estilo de vida e um comprometimento diário algumas vezes difícil de manter. Uma medida de extraordinária importância consiste na hidratação . O objetivo desta é a diminuição da saturação urinária prevenindo as várias fases da litogénese. Desta forma sugere-se que a ingestão de líquidos seja a suficiente para um débito urinário superior a 2000 ml/dia. (2)

Um aconselhamento nutricional para a prevenção da ocorrência e também da recorrência dos cálculos é uma estratégia conveniente tanto para profissionais como para os pacientes por ser economicamente acessível e segura. Importante observar que, para a obtenção de melhores resultados, preconiza-se que as recomendações dietéticas devem ser estabelecidas de acordo com o tipo de cálculo e as características da análise de urina de 24h.

Uma publicação recente que avaliou a associação entre hábito alimentar e o risco de nefrolitíase em mais de 50 mil pessoas concluiu que os principais fatores protetores foram o alto consumo de magnésio, de frutas frescas e de fibras provenientes dos cereais integrais.  Além disso, quando comparados aos participantes que apresentavam um consumo elevado de carnes (> 100 g/dia), os que tinham um consumo moderado (50-99 g/dia) ou baixo (< 50 g/dia) tiveram 20% e 48% menor chance de ocorrência de litíase, respectivamente. (7)

Fonte principais: Disponível em <http://www.apurologia.pt/acta/3-2005/junior.pdf>.
                                          <http://www.scielo.br/pdf/jbn/v36n4/0101-2800-jbn-36-04-0428.pdf>

Larissa Amaral

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