Prevenção das complicações agudas da descompensação hiperglicêmica aguda medida pela glicemia capilar

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Prevenção das complicações agudas da descompensação hiperglicêmica aguda medida pela glicemia capilar

Mensagem  Rodrigo Vilela Ventura em Dom Jun 21, 2015 11:07 am

As complicações agudas do diabetes incluem a descompensação hiperglicêmica aguda (glicemia > 250mg/dL), que pode evoluir para complicações mais graves como cetoacidose diabética (CAD), síndrome hiperosmolar hiperglicêmica não cetótica e a hipoglicemia (glicemia <70mg/dL). Tais complicações exigem ação efetiva do paciente – família ou amigos – e do serviço de saúde, que é fundamental para impedir que a situação evolua para quadros clínicos mais graves.

A CAD representa a mais frequente e será o enfoque deste texto.

CETOACIDOSE DIABÉTICA

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação metabólica aguda do diabetes que é potencialmente fatal e necessita de atendimento médico imediato para que o tratamento tenha sucesso. É caracterizada pela deficiência absoluta de insulina e é a complicação hiperglicêmica aguda mais comum do diabetes. O paciente com diabetes tipo 2 com reserva pancreática de insulina raramente desenvolve essa condição, mas isso pode ocorrer em intercorrências como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico ou infecção grave. Os principais fatores precipitantes são infecção, má adesão ao tratamento (omissão da aplicação de insulina, abuso alimentar), uso de medicações e as condições graves citadas logo acima.


O tratamento objetiva a restauração dos déficits de volume, resolução da hiperglicemia e cetose/acidose, correção das anormalidade eletrolíticas antes da insulinoterapia (o uso da insulina em um paciente com hipocalemia pode causar paralisia respiratória, arritmias cardíacas e morte), e, por fim, o tratamento de eventos desencadeantes e prevenção de complicações.

Na CAD leve, os pacientes devem receber uma injeção subcutânea de insulina de ação rápida, com uma dose inicial de 0,3 unidades/kg, seguida por 0,2 unidades/kg após uma hora, seguida por 0,2 unidades/kg a cada 2 horas até que a glicose sanguínea esteja abaixo de 250 mg/dL; quando este patamar for atingido, mantém-se esta mesma estratégia, mas com a dose de insulina diminuída pela metade (0,1 U/kg), até se normalizar a glicemia.

CONCLUSÃO

O caso que abordei na UBS São Cristóvão era de um paciente com DM2 de longa data e má aderência à insulinoterapia. Ele se apresentou assintomático, apesar da glicemia capilar maior que 300mg/dL. Foi feito na hora uma injeção subcutânea de insulina regular 8 UI. Não consegui encontrar uma fonte validando a glicemia capilar como exame suficiente para esta abordagem. Além disso, a única fonte encontrada que sugere a insulinoterapia imediata para pacientes assintomáticos é o livro de medicina ambulatorial do Duncan.

Fontes: BMJ (http://brasil.bestpractice.bmj.com/best-practice/monograph/162/follow-up/complications.html) acessado em 21/6/15
- Bruce B. Duncan. Medicina Ambulatorial – Condutas de atençao primaria baseadas em evidencias. 4ªed, 2013

Rodrigo Vilela Ventura

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Re: Prevenção das complicações agudas da descompensação hiperglicêmica aguda medida pela glicemia capilar

Mensagem  Rodrigo Vilela Ventura em Dom Jun 21, 2015 11:37 am

Rodrigo Vilela Ventura escreveu:As complicações agudas do diabetes incluem a descompensação hiperglicêmica aguda (glicemia > 250mg/dL), que pode evoluir para complicações mais graves como cetoacidose diabética (CAD), síndrome hiperosmolar hiperglicêmica não cetótica e a hipoglicemia (glicemia <70mg/dL). Tais complicações exigem ação efetiva do paciente – família ou amigos – e do serviço de saúde, que é fundamental para impedir que a situação evolua para quadros clínicos mais graves.

A CAD representa a mais frequente e será o enfoque deste texto.

CETOACIDOSE DIABÉTICA

A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação metabólica aguda do diabetes que é potencialmente fatal e necessita de atendimento médico imediato para que o tratamento tenha sucesso. É caracterizada pela deficiência absoluta de insulina e é a complicação hiperglicêmica aguda mais comum do diabetes. O paciente com diabetes tipo 2 com reserva pancreática de insulina raramente desenvolve essa condição, mas isso pode ocorrer em intercorrências como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico ou infecção grave. Os principais fatores precipitantes são infecção, má adesão ao tratamento (omissão da aplicação de insulina, abuso alimentar), uso de medicações e as condições graves citadas logo acima.


O tratamento objetiva a restauração dos déficits de volume, resolução da hiperglicemia e cetose/acidose, correção das anormalidade eletrolíticas antes da insulinoterapia (o uso da insulina em um paciente com hipocalemia pode causar paralisia respiratória, arritmias cardíacas e morte), e, por fim, o tratamento de eventos desencadeantes e prevenção de complicações.

Na CAD leve, os pacientes devem receber uma injeção subcutânea de insulina de ação rápida, com uma dose inicial de 0,3 unidades/kg, seguida por 0,2 unidades/kg após uma hora, seguida por 0,2 unidades/kg a cada 2 horas até que a glicose sanguínea esteja abaixo de 250 mg/dL; quando este patamar for atingido, mantém-se esta mesma estratégia, mas com a dose de insulina diminuída pela metade (0,1 U/kg), até se normalizar a glicemia.

CONCLUSÃO

O caso que abordei na UBS São Cristóvão era de um paciente com DM2 de longa data e má aderência à insulinoterapia. Ele se apresentou assintomático, apesar da glicemia capilar maior que 300mg/dL. Foi feito na hora uma injeção subcutânea de insulina regular 8 UI. Não consegui encontrar uma fonte validando a glicemia capilar como exame suficiente para esta abordagem. Além disso, a única fonte encontrada que sugere a insulinoterapia imediata para pacientes assintomáticos é o livro de medicina ambulatorial do Duncan.

Fontes: BMJ (http://brasil.bestpractice.bmj.com/best-practice/monograph/162/follow-up/complications.html) acessado em 21/6/15
- Bruce B. Duncan. Medicina Ambulatorial – Condutas de atençao primaria baseadas em evidencias. 4ªed, 2013
- American Diabetes Association. Standards of Medical Care in Diabetes. 2014

Rodrigo Vilela Ventura

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