Atenção domiciliar

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Atenção domiciliar

Mensagem  Convidad em Seg Jul 15, 2013 1:51 pm

ASSISTÊNCIA DOMICILIAR
É caracterizada pela efetivação de todo e qualquer atendimento a domicílio realizado por
profissionais que integram a equipe de saúde. Pode ser dividida em algumas modalidades:

Atendimento Domiciliar
É o cuidado prestado no domicílio, para pessoas com problemas agudos, e que em função
disto estejam temporariamente impossibilitadas de comparecer à Unidade Básica de Saúde (UBS).
1. Internação Domiciliar
É o cuidado no domicilio de pacientes, com problemas agudos ou egressos de hospitalização,
que exijam uma atenção mais intensa, mas que possam ser mantidos em casa, desde que
disponham de equipamentos, medicamentos e acompanhamento diário pela equipe da UBS e a
família assuma parcela dos cuidados. Este atendimento não substitui a internação hospitalar.
2. Acompanhamento Domiciliar
É o cuidado no domicílio para pessoas que necessitem contatos freqüentes e
programáveis com os profissionais da Equipe. São exemplos de condições apropriadas para
inclusão no Acompanhamento Domiciliar:

  • Paciente portador de doença crônica que apresente dependência física;
  • Pacientes em fase terminal;
  • Pacientes idosos, com dificuldade de locomoção ou morando sozinhos.
  • Pacientes egressos do hospital, que necessitem acompanhamento por alguma
    condição que o incapacite à comparecer na Unidade;
  • Pacientes com outros problemas de saúde, incluindo doença mental, o qual determine
    dificuldades de locomoção ou adequação ao ambiente da Unidade de Saúde.

3. Vigilância Domiciliar
É decorrente do comparecimento de um integrante da equipe até o domicilio para realizar
ações de promoção, prevenção, educação e busca ativa da população de sua área de
responsabilidade, geralmente vinculadas à vigilância da saúde que a Unidade desenvolve, dentre
estas podemos salientar:
Ações preventivas
- Visitas à Puérperas.
- Busca de Recém-nascidos.
- Busca ativa dos Programas de Prioridades.
- Abordagem familiar para diagnóstico e tratamento.
Acompanhamento de Egressos Hospitalares
A assistência domiciliar pode ser importante instrumento para prevenção de
reinternações, bem como para abordagem de problemas recorrentes de saúde. Um exemplo de
sucesso é o programa desenvolvido pelo Serviço de Saúde Comunitária do GHC, denominado “De
volta prá Casa”, que esta no Anexo 07, para acompanhamento de crianças (0 a 18 anos) que
internam nos hospitais do Grupo Hospitalar Conceição, abrangendo internações diversas e tendo um
específico para asma, cujos resultados demonstram sua significância.

3. VISITA DOMICILIAR (VD)
A visita domiciliar, também chamada de “VD”, é o instrumento de realização da assistência
domiciliar. Sendo constituído pelo conjunto de ações sistematizadas para viabilizar o cuidado a
pessoas com algum nível de alteração no estado de saúde (dependência física ou emocional) ou para
realizar atividades vinculadas aos programas de saúde
A Visita Domiciliar deve ser planejada, portanto antes de realiza-la, o visitador deve:

  • Ter claro o(s) objetivo(s) da visita (assistencial, educativa, de avaliação, entre outros);
  • Conferir se o paciente a ser visitado está cadastrado na Unidade de Saúde, tendo
    prontuário;
  • Reunir todos os dados sobre o paciente ou a família que irá visitar, da seguinte maneira:
  • Pesquisando com o solicitante através de anamnese: idade, sexo, motivo da solicitação,
    sinais e sintomas que o paciente apresenta e condições atuais;
  • Revisando o prontuário do paciente para inteirar-se de dados que podem ser úteis;
  • Avaliar se há condições de manejar o problema em casa;
  • A partir da anamnese inicial com o solicitante, estabelecer o espaço de tempo em que
    deverá ser realizada a visita (é urgente? Pode ser agendada?);
  • Avaliar qual o profissional da equipe é indicado para avaliar a situação trazida, e se há
    necessidade de mobilizar outros recursos - da equipe ou externos;
  • Anotar e confirmar o endereço antes da visita;
  • Levar material e medicações apropriadas para o atendimento do caso, providenciando
    aqueles que não existem na maleta de atendimento domiciliar;
  • Levar e preencher o formulário para registro do atendimento;
  • Ao retornar do atendimento, o profissional deve:
  • Registrar o atendimento no prontuário;
  • Dar a equipe e aos colegas que atendem o paciente retorno sobre o atendimento.















Deve haver a preocupação de informar ao paciente e seus familiares como melhor utilizar a
assistência domiciliar. Esta orientação compreende os seguintes aspectos:

  • Horário de Atendimento: informar os dias e horários em que as visitas domiciliares poderão
    ser solicitadas e realizadas. Para uma melhor organização e atuação da equipe, as visitas
    devem preferencialmente ser solicitadas no horário compreendido entre a abertura da
    Unidade e até uma ou duas horas antes do fechamento. A solicitação preferencialmente deve
    ser feita pessoalmente, porque a experiência mostra que muitas situações são resolvidas com
    o próprio familiar, sem que haja necessidade de deslocamento de um profissional até o
    domicílio.
  • Participação da Família: é importante reforçar que a participação ativa da famlía nos
    cuidados com o paciente é fundamental. A equipe vai atuar habilitando a família a prestar
    cuidados e servindo de apoio com seus conhecimentos técnicos.
  • Equipe de Referência: buscando manter a continuidade do atendimento e as vantagens
    dela decorrentes, os familiares devem sempre se dirigir aos técnicos que costumeiramente
    atendem ao paciente. Exceção será feita nos casos de urgência.
  • O tipo de assistência a ser prestada: esclarecer aos familiares que a assistência prestada
    dependerá das necessidades do paciente e da família, e dos recursos de que a equipe
    dispuser ou que conseguir mobilizar.
  • Remoção e transporte dos pacientes: será realizada de acordo com critérios e
    disponibilidade.
  • Prontuário individual em casa: salientar para a família a importância de que todos os
    técnicos realizem anotações no Prontuário que vai ficar na casa. Quando vier à Unidade para
    solicitações ou procedimentos, o familiar ou cuidador deve trazer o prontuário para anotações.


ATRIBUIÇÕES DA EQUIPE COMO UM TODO

  • Respeitar os princípios da assistência domiciliar, buscando estratégias para aprimorá-los.
  • Compreender o indivíduo como sujeito do processo de promoção, manutenção e
    recuperação de sua saúde e visualiza-lo como agente co-responsável pelo processo de
    equilíbrio entre a relação saúde-doença.
  • Estar disponível para fornecer esclarecimentos e orientações à família, sempre que
    solicitado.
  • Monitorizar o estado de saúde do paciente facilitando a comunicação entre família e equipe.
  • Desenvolver grupos de suporte com os cuidadores.
  • Realizar reuniões com usuário e família para planejamento e avaliação da AD.
  • Otimizar a realização do plano de assistência estabelecido para cada pessoa.
  • Fazer abordagem familiar, considerando o contexto socioeconômico e cultural em que a
    família se insere, e a repercussão da necessidade de cuidado na vida familiar.
  • Garantir o registro no prontuário domiciliar e de família na Unidade de Saude.
  • Orientar a família sobre sinais de gravidade e condutas a serem adotadas.
  • Dar apoio a família tanto para o desligamento após alta da AD, quanto para o caso de óbito,
    através da sua disponibilidade profissional.
  • Avaliar a condição ambiental do domicílio, e construir proposta de adequação dentro da
    realidade familiar e do domicilio.
  • Acompanhar o usuário conforme plano de assistência traçado pela equipe e família.
  • Pactuar concordância da família para AD, dentro de seus limites de prestação de cuidado.
  • Buscar garantir uma assistência integral, resolutiva e livre de danos ao usuário da
    assistência domiciliar (AD).
  • Trabalhar as relações familiares na busca pela harmonia, otimizando ações para um
    ambiente familiar terapêutico, que promova qualidade de vida para o paciente, cuidador e sua
    família de maneira a construir uma rede de apoio eficaz.
  • Solicitar avaliação da equipe de referência ou encaminhar, sempre que indicado.


Obrigações da Equipe da APS:

1. DA RECEPCÃO
Receber a solicitação da assistência domiciliar (AD), pessoalmente ou por telefone.
Providenciar o prontuário e demais formulários necessários para a assistência domiciliar.
Encaminhar a solicitação ao responsável pelo caso ou para o encarregado das avaliações
de solicitação da assistência domiciliar.
2. DO MÉDICO
Avaliar de modo integral individual, familiar e contexto social a situação da pessoa
enferma.
Esclarecer a família sobre os problemas de saúde e construir plano de cuidados para a
pessoa enferma.
Estabelecer forma de comunicação participativa com a família.
Levar o caso para discussão na Equipe.
Emitir prescrição do tratamento medicamentoso.
Registrar os atendimentos.
Promover e participar avaliações periodicas do plano de acompanhamento.
Indicar internação hospitalar.
Dar alta médica.
Verificar e atestar o óbito.
3. DO ENFERMEIRO
Avaliar de modo integral individual, familiar e contexto social a situação da pessoa
enferma.
Avaliar as condições e infra-estrutura física do domicílio para a modalidade de AD
requerida.
Elaborar, com base no diagnóstico de enfermagem, a prescrição dos cuidados.
Identificar e treinar o cuidador domiciliar.
Supervisionar o trabalho dos auxiliares de enfermagem e dos ACS.
Solicitar exames complementares, prescrever/transcrever medicações, conforme
protocolos estabelecidos nos programas do Ministério da Saúde e as disposições legais da
profissão.
Realizar procedimentos de enfermagem que requeiram maior complexidade técnica.
Orientar cuidados com o lixo originado no cuidado do usuário e do lixo domiciliar
(separação, armazenamento e coleta).
Estabelecer via de comunicação participativa com a família.
Comunicar a equipe de saúde as alterações observadas a avaliar periodicamente o
desempenho da equipe de enfermagem na prestação do cuidado.
Dar alta dos cuidados de enfermagem.
Registrar os atendimentos.
4. DO AUXILIAR E TÉCNICO DE ENFERMAGEM:
Auxiliar no treinamento do cuidador domiciliar.
Acompanhar a evolução dos casos, seguindo check-list do paciente e comunicar a equipe
às alterações observadas.
Realizar procedimentos de enfermagem dentro de suas competências técnicas e legais.
Orientar cuidados com o lixo originado no cuidado do usuário e do lixo domiciliar
(separação, armazenamento e coleta).
Estabelecer via de comunicação participativa com a família.
Identificar sinais de gravidade.
Comunicar à enfermeira e ao médico alterações no quadro clinico do paciente.
Registrar os atendimentos.
5. DO AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE
Comunicar a equipe de saúde a necessidade de avaliação da pessoa para AD.
Estabelecer forma de comunicação participativa com a família.
Orientar cuidados com o lixo originado no cuidado do usuário e do lixo domiciliar
(separação, armazenamento e coleta).
Servir de elo de comunicação entre a pessoa, a família e a equipe.
Identificar e mobilizar, na comunidade, redes de apoio ao plano de AD pactuado com a
família.
Registrar os atendimentos.
6. DO CUIDADOR
Cuidador sem formação profissional
Ao qual compete a seguinte atribuição:
Ajudar no cuidado corporal: cabelo, unhas, pele, barba, banho parcial ou completo, higiene
oral e íntima.
Estimular e ajudar na alimentação.
Ajudar a sair da cama, mesa/cadeira e voltar.
Ajudar na locomoção e atividades físicas apoiadas (andar, tomar sol, movimentar as
articulações).
Fazer mudança de decúbito e massagem de conforto.
Servir de elo entre o doente/ família e a equipe de saúde.
Administrar medicações conforme prescrição.
Comunicar a equipe de saúde as intercorrências.
Cuidador com formação profissional
A quem compete seguir as orientações e prescrições estabelecidas para o doente, limitadas
as habilidaddes e competências atribuidas à sua categoria profissional.

MATERIAL DA MALETA DE VISITAS DOMICILIARES SSC-HC
EQUIPAMENTOS
Estetoscópio
Esfigmomanômetro
Glicosímetro
Termômetro
MATERIAL DE ENFERMAGEM
Agulhas 40 x 12 - 03 unidades
Agulhas 0,80 x 25 - 03 unidades
Agulhas 0,70 x 25 - 03 unidades
Agulhas 13,0 x 0,45 - 03 unidades
Escalpe nº 25 - 03 unidades
Escalpe nº 27 - 03 unidades
Escalpe nº 23 - 03 unidades
Gaze - 02 pacotes
Seringas de 10 ml - 01 unidade
Seringas de 05ml - 02 unidades
Seringas 03ml - 03 unidades
Seringas insulina - 02 unidades
Sonda vesical 01 unidade
MATERIAL PARA COLETA DE LABORATÓRIO
Algodão
Canhão para coleta com vacutainer
Garrote
Luvas
Micropore (01)
Tubetes de coleta
MEDICAÇÕES
Acido acetil salicilico 500mg - 04 comprimidos
Água destilada - 06 frascos
Dipirona - 02 ampolas
Diclofenaco - 02 ampolas
Furosemida - 06 ampola
Hioscina - 02 ampolas
Hidrocortisona 500mg - 01 frasco
Metoclopramida - 02 ampolas
Morfina - 02 ampolas
Paracetamol 500mg - 04 comprimidos

CRITÉRIOS DE INCLUSÃO NA ASSISTÊNCIA DOMICILIAR
Consentimento da família e/ou da pessoa enferma.
Existência de cuidador.
Condições de infra-estrutura física no domicílio para assistência domiciliar.
Condição clínica da pessoa doente.
Morar na área de abrangência da Unidade de Saúde.
Se a pessoa doente necessitar de uso contínuo de infusões parenterais, tais como
quimioterápicos, transfusões sangüíneas, entre outros deve ser avaliado pela equipe suas
condições e recursos para prestar este tipo procedimento.

CRITÉRIOS DE DESLIGAMENTO OU ALTA DA ASSISTÊNCIA DOMICILIAR
Ausência de cuidador.
Não aceitação do acompanhamento.
Não cumprimento das combinações construídas no plano de AD.
Alteração da condição clínica:
Recuperação ou agravamento do quadro com necessidade de encaminhamento para outro
nível.
Possibilidade de deslocamento da pessoa doente até a unidade de saúde, requerendo um
plano de acompanhamento.
Mudança da área de abrangência.
Ausência de condições domiciliares mínimas que comprometa a resolutividade da
assistência domiciliar.
Opção do doente ou família por prescrições ou orientações de profissionais externos,
contrárias às da equipe.
Óbito.

Referência: Brasil. Ministério da Saúde. Grupo Hospitalar Conceição Manual de assistência domiciliar na atenção primária à saúde; organizado por José Mauro Ceratti Lopes. Porto Alegre : Serviço de Saúde Comunitária do Grupo Hospitalar Conceição, 2003.

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