Bursite escápulotorácica - Manejo clínico

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Bursite escápulotorácica - Manejo clínico

Mensagem  fsmcristina em Sex Dez 12, 2014 1:23 pm

FONTE: CONDUAH, A. H, et al., Clinical Management of Scapulothoracic Bursitis and the Snapping Scapula. Sports Health, vol 2, n 2

Definição
Bursite escapulotorácica é a inflamação da bursa secundária a trauma ou excesso de uso devido a prática de esportes ou ao trabalho.

Diagnóstico
O diagnóstico é primariamente clínico. Os pacientes se queixam de dor com a atividade crescente e pode ter crepitações audíveis e palpável com à movimentação da escápula. A crepitação associada a bursite é geralmente muito menos intensa do que a que ocorre com uma lesão óssea. Alguns pacientes podem não apresentar dor alguma, enquanto outros podem ter uma sensibilidade extrema no ângulo superior e borda medial da escápula. Em casos graves, os pacientes podem relatar dor em repouso

A história do uso excessivo durante a prática desportiva, como arremessos, natação, futebol, ginástica, e musculação tem sido relacionada ao início do desenvolvimento de sintomas, bem como o trabalho e trauma local. Além disso, não é raro pacientes se queixarem de sensação de fadiga antes do aparecimento dos sintomas. Alguns autores, ainda, têm suspeita de tendência familiar

A inspeção da escápula pode revelar plenitude ou escápula alada, o que sugere uma lesão ocupando espaço no sítio escapulotorácico. A inspeção visual também pode revelar discinesia, uma alteração da posição normal ou movimento da articulação escapulotorácica.

Padrões defeituosos de rotação glenoumeral/escapulotorácica podem ser comumente observados e incluem diminuição de movimento glenoumeral com maior movimento escapular durante a elevação, o que pode levar a uma protrusão clinicamente aparente na borda lateral da axila. Além disso, deve-se levar em consideração a postura do paciente. A cabeça para a frente e ombros arredondados, podem contribuir para os sintomas escapulares.
Embora o exame neuromuscular em pacientes com bursite escapulotorácica e crepitação é muitas vezes normal, avaliação da força muscular continua crítica. O exame muscular básico manual deve concentrar-se na força dos músculos escapulares, incluindo o trapézio (superior, médio e inferior), levantador da escápula, serrátil anterior, grande dorsal, deltóides e os músculos do manguito rotador. A perda do tônus muscular ou uma alteração do ritmo escapulotorácico pode levar ao aumento de atrito entre a borda medial da escápula e da caixa torácica, resultando em crepitação. O examinador pode testar o encurtamento do trapézio solicitando ao paciente virar sua cabeça, o máximo possível em direção ao lado afetado, com o seu pescoço em leve extensão. Com o examinador de pé atrás do paciente sentado, o membro superior ipsilateral é levantado abaixo do cotovelo flexionado. Esta manobra coloca folga no trapézio superior e, portanto, permite que haja mais movimento se o trapézio é a causa do movimento limitado. A peitoral menor encurtado também pode contribuir para prejuízo da mecânica escapular. Encurtamento do peitoral menor faz com que o ombro afetado se posicione em uma posição mais anterior do que a do ombro afetado enquanto o paciente está em decúbito dorsal. O encurtamento é geralmente o resultado de uma cápsula glenoumeral apertada causando impacto secundário e protrusão posterior da escápula. Os casos leves aparecem como impacto, enquanto os casos mais graves apresentam discinesia escapular.

Tratamento
O tratamento inicial da bursite escapulotorácica deve ser conservador. Manejo não cirúrgico parece ser mais benéfico em um distúrbio do tecido mole, postura alterada, discinesia escapular, ou escápula alada é a fonte de crepitação escapulotorácico. O tratamento inicial consiste em repouso, antiinflamatórios não-hormonais sistêmicos, modificação de atividade, e reabilitação do ombro.
O programa de reabilitação planejado deve ser abrangente e multifatorial, com foco na postura, força e resistência. Como mencionado anteriormente, a disfunção postural é um importante contribuinte para o desenvolvimento de crepitação escapulotorácica e bursite. Para aqueles com fatores agravantes, como cifose, ou protração escapular, 29 exercícios posturais podem ser utilizados para fortalecer a musculatura torácica superior e impedir o encurvamento dos ombros. Exercícios de reabilitação devem centrar-se no fortalecimento dos músculos periescapular e no alongamento os seus homólogos antagonistas. Exercícios que adicionam volume físico para o subescapular e serrátil anterior elevam a escápula mais longe da parede torácica. Isso impede o deslizamento da escápula sobre as costelas, o que causa a irritação da bursa. Além disso, a restauração da força periscapular estabelece estabilidade proximal estática para fornecer uma base estável. A principal função dos músculos periscapulares é postura estática da cintura escapular (uma atividade de duração prolongada); portanto, o treinamento de resistência também deve ser enfatizado.

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