Diagnóstico e Tratamento da Psoríase

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Diagnóstico e Tratamento da Psoríase

Mensagem  Ana Luiza M. Reggiani em Qua Abr 29, 2015 3:40 pm

A psoríase é uma doença crônica inflamatória da pele caracterizada por pápulas escamosas, circunscritas e eritematosas, e placas nos cotovelos, joelhos, membros extensores, couro cabeludo e, com menos frequência, nas unhas, orelhas e na região umbilical. Geralmente, a doença permanece por toda a vida, com períodos de exacerbações e remissões. Ela causa prurido, irritação, queimação e ardor em metade dos casos. Embora a classificação geralmente inclua artrite psoriática, somente serão discutidas as manifestações cutâneas neste tópico.

A psoríase é uma disfunção hiperproliferativa que envolve uma complexa cascata de mediadores inflamatórios. A atividade mitótica das células basais e suprabasais é aumentada de forma significativa, com migração celular da camada basal para o estrato córneo em apenas alguns dias. A escama prateada na superfície das lesões psoriasiformes é de fato uma camada de células mortas.

Citocinas, particularmente as pró-inflamatórias, células T, macrófagos e o fator de crescimento endotelial vascular estão fortemente implicados na patogênese. O fator de necrose tumoral alfa (TNF-alfa), em especial, vem sendo utilizado como o alvo de terapias biológicas. Os níveis séricos, sinoviais e nas placas psoriáticas do TNF-alfa se mostram elevados. Os anticorpos monoclonais humanos que bloqueiam receptores TNF-alfa ou inibem a ligação ou ativação de receptores TNF-alfa demonstraram controlar a psoríase de forma significativa.

Critérios de diagnóstico

Índice de intensidade e de área da psoríase (PASI; Psoriasis Area and Severity Index)
Escore composto que classifica a intensidade da psoríase em 4 regiões do corpo de acordo com o eritema, a descamação, a espessura e a área total da pele afetada. A intensidade do eritema, da descamação e da espessura é classificada de 0 a 4, e a extensão do envolvimento da área de superfície corporal em cada região do corpo é classificada categoricamente de 1 a 6. O escore composto final varia de 0 a 72, sendo que o escore mais alto indica psoríase mais grave. Geralmente usada em laboratório. Calculadoras do PASI estão disponíveis online: [PASI Training: PASI score calculator].

Escore de psoríase da National Psoriasis Foundation
Seis subdomínios, com escore entre 0 e 5: induração em 2 locais alvo, área da superfície corporal atual e inicial, avaliação global pelo médico e avaliação do prurido pelo paciente. Geralmente usada em laboratório.

Diagnóstico clínico, deve-se requisitar biópsia de pele apenas em caso de diagnóstico não conclusivo. No entanto, a biópsia nem sempre revelará características patológicas clássicas (pústulas espongiformes intraepidérmicas e microabscesso neutrofílico de Munro no estrato córneo; além dessas características clássicas, outras incluem paraceratose focal e acantose epidérmica com capilares dilatados nas papilas dérmicas).

Em geral, a psoríase começa com 1 ou 2 lesões limitadas aos cotovelos ou ao couro cabeludo. Meses ou anos depois, começa a afetar membros e tronco. A psoríase apresenta evolução flutuante, com surtos e remissão, mas raramente desaparece por completo. Os pacientes podem descrever a pele como altamente sensível, com prurido intenso. Pode ocorrer sangramento se o paciente coçar as lesões. A pele pode estar dolorida, especialmente se houver comprometimento das articulações. Pode ser agravada por fatores ambientais, emocionais ou infecciosos. Deve-se determinar quais terapias, se alguma, foram seguidas pelo paciente, e o quanto elas foram eficazes. A interrupção abrupta de corticoterapia para psoríase ou a adição de medicamento sabidamente irritante pode resultar em piora súbita.

A maioria dos pacientes psoriáticos apresenta história familiar positiva. A psoríase é mais frequente nas populações brancas. Os fumantes apresentam maior risco de psoríase.

Os subtipos de psoríase têm uma apresentação típica:


  • Psoríase em placas: Lesões inflamadas elevadas em placas com uma descamação superficial de coloração branco-prateada. As escamas podem ser raspadas revelando a pele inflamada e às vezes friável.

    Psoríase gutata: Pápulas eritematosas com fina descamação (aparência de gota d’água) muito disseminadas no tronco, braços e pernas. Geralmente, as lesões eclodem após uma infecção no trato respiratório superior.

    Psoríase pustular: Psoríase pustular generalizada aguda (do tipo von Zumbusch): rara, grave, urgente.

    Pustulose palmoplantar: comprometimento crônico de mãos e pés.

    Eritroderma (psoríase eritrodérmica): Eritema generalizado com fina descamação. Geralmente acompanhado de dor, irritação e, às vezes, prurido intenso.


O objetivo da terapia é obter controle rápido do processo da doença, diminuir o percentual da superfície corporal afetada, reduzir o número de lesões em placas e alcançar e manter a remissão. Geralmente, o médico tem como objetivo a melhora significativa com o mínimo de efeitos adversos. O tratamento depende da intensidade e da área de envolvimento da psoríase. Em geral, terapias tópicas são usadas para tratar a psoríase mais leve e localizada, enquanto a fototerapia, a terapia sistêmica e a terapia biológica são usadas para formas de intensidade moderada a grave da doença. Crianças, gestantes e pessoas imunossuprimidas devem receber cuidados especializados.

Os tratamentos tópicos são a principal forma de terapia na psoríase leve. Os tratamentos tópicos incluem cremes, pomadas e loções. A escolha da formulação depende da área de cobertura (por exemplo, loção para o couro cabeludo, creme para lesões com exsudação úmida e pomada para lesões escamosas, liquenificadas ou ressecadas). Pessoas avessas a opções farmacológicas podem usar emolientes.

As três opções principais de tratamento de psoríase moderada a grave são: (1) fototerapia, (2) terapia sistêmica por via oral, incluindo metotrexato, [C Evidence]  acitretina [C Evidence]  ou ciclosporina, [C Evidence]  e (3) terapia biológica.

Referência: BMJ Best Practice

Ana Luiza M. Reggiani

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tratamento

Mensagem  Admin em Sex Maio 08, 2015 2:22 pm

Prezada Ana, talvez seja proveitoso para você explorar um pouco mais sobre o tratamento tópico, haja vista que ele pode ser utilizado por profissionais médicos da APS. eu sugiro que você se familiarize um pouco mais com corticóides tópicos (quais e quais doses) e com o adapaleno e outros análogos da vit. A.
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Não seriam análogos de vit. D?

Mensagem  Ana Luiza M. Reggiani em Dom Maio 17, 2015 3:38 pm

pacientes com envolvimento limitado de psoríase, os médicos podem começar com corticosteroides tópicos. Os corticosteroides tópicos isoladamente não costumam ser recomendados para psoríase crônica extensa, pois são inadequados para tratar a doença e estão associados a possíveis efeitos colaterais sistêmicos e locais.

Os corticosteroides tópicos combinados com análogos da vitamina D são recomendados. A combinação é mais eficaz que um agente isolado e pode reduzir os efeitos colaterais potenciais do uso extenso de corticosteroides tópicos.

A potência do corticosteroide tópico usado depende da extensão da doença e da capacidade de resposta do paciente à medicação. Os tratamentos de baixa potência (por exemplo, hidrocortisona) são adequados às lesões na face ou nas áreas intertriginosas. Os corticosteroides de média potência, incluindo a triancinolona e a fluocinonida, podem ser usados como terapia de manutenção em áreas tronculares. Os corticosteroides de alta potência, incluindo o clobetasol, o halobetasol e o dipropionato de betametasona, são usados nas áreas tronculares durante surtos da doença.

hidrocortisona tópica: (2.5%) aplicar com moderação na(s) área(s) afetada(s) duas vezes ao dia
or
triancinolona tópica: (0.025 ou 0.1%) aplicar com moderação duas vezes ao dia na(s) área(s) afetada(s)
or
fluocinonida tópica: (0.05%) aplicar com moderação na(s) área(s) afetada(s) duas vezes ao dia
or
clobetasol tópico: (0.05%) aplicar com moderação na(s) área(s) afetada(s) duas vezes ao dia por um máximo de 2 semanas, máximo de 50 g/semana
or
halobetasol tópico: (0.05%) aplicar com moderação na(s) área(s) afetada(s) duas vezes ao dia por um máximo de 2 semanas, máximo de 50 g/semana
or
desoximetasona tópica: (0.05%) aplicar com moderação na(s) área(s) afetada(s) duas vezes ao dia
or
dipropionato de betametasona tópico: (0.05%) aplicar com moderação na(s) área(s) afetada(s) duas vezes ao dia
or
valerato de betametasona tópico: (0.12%) aplicar com moderação no couro cabeludo duas vezes ao dia
-- AND/OR --
calcipotriol tópico: (0.005%) aplicar na(s) área(s) afetada(s) duas vezes ao dia, máximo de 100 g/semana

Ana Luiza M. Reggiani

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Re: Diagnóstico e Tratamento da Psoríase

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